O candidado “wiki”
Em 2004, Howard Dean, hoje líder do Partido Democrata, não chegou a ganhar as primárias a John Kerry, mas fez história ao mobilizar milhões de dólares e milhares de voluntários através do seu site. Nesse mesmo ano de 2004, Barack Obama era eleito Senador pelo Estado do Illinois. Escassos quatro anos volvidos, um candidato outrora desconhecido não só arrasou o poderoso establishment da invencivel Hilary Clinton como irá (estamos a horas de o confirmar) prestar juramento como 44º Presidente EUA, no próximo dia 20 de Janeiro de 2009.
Já quase foi dito sobre as razões do espectacular sucesso de Barack Obama. A sua capacidade oratória, o seu carisma e capacidade de sedução, a genialidade da sua campanha, o apoio entusiástico da juventude, a vontade de mudança e a conjuntura económica. Tudo isso é verdade. Mas tenho para mim que um dos mais espectatulares sucessos de Obama está na forma como revolucionou a utilização da internet numa campanha politica. O que Dean tinha inaugurado, Obama levou a um patamar nunca visto. Nada será igual nas campanhas.
Primeiro: o impacto da internet no financiamento da campanha. Enquanto as campanhas do passado dependeram sobretudo do apoio de pequenos circulos de “wealthy and well-connected patrons”, Obama recebeu donativos de dois milhões de americanos, a maior parte dos quais de pequeníssimos montantes através da internet (como apoiante registado, fui assediado semanalmente a contribuir). Esta mudança tem um inegável significado politico: a habilidade de um candidato angariar dinheiro de pequenos doadores é já um importante sinal da sua legitimidade política. A partir de agora, um candidato que não conseguir angariar dinheiro desta forma será visto como largamente dependente de grandes financiadores (e dos seus “vested interests”).
Segundo: pelo uso magistral das redes sociais (Web 2.0). Por exemplo, o numero de apoiantes de Barack Obama no Face Book atingia hoje 2,438,270 supporters. O site do candidato vai ao ponto de disponibilizar um simulador, que permite que cada um calcule o impacto da sua politica fiscal no seu orçamento familiar.
Terceiro: mais que um mero site, estamos perante uma plataforma colaborativa, aberta e descentralizada. Onde cada um pode desempenhar um papel, organizando eventos de campanha, encontrando apoiantes seus vizinhos, etc. Numa lógica “wikipedia” e “open-source software”, o site de Obama não só permite como encoraga cada aderente a desempenhar um papel na campanha. Uma mobilização a uma escala sem precedentes que só o cariz descentralizado e aberto da web 2.0 permite – num mundo “comando e controle” isso seria impossivel.
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